15/06/2005 - Ministro Edson Vidigal afirma que solução para pequenos conflitos está no Juizado de Paz
 
A solução para os pequenos conflitos nas ruas, nos bairros ou até mesmo nos municípios deveriam ser resolvidos pelos Juizados de Paz. Estabelecidos na Constituição Federal de 1988, esses juizados não saíram do papel pois necessitam de legislação específica para ampliar as atividades dos juízes que no momento exercem apenas funções de celebrar casamentos. A defesa do Juizado de Paz foi feita pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Edson Vidigal, ontem à noite, durante abertura da conferência internacional "Acesso à Justiça por meios alternativos de resolução de conflitos". Promovido pela Secretaria de Reforma do Poder Judiciário, do Ministério da Justiça, e com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a conferência ocorre num hotel em Brasília.
 
Em seu breve discurso, o ministro Vidigal usou como ilustração um processo que começou no STJ envolvendo a morte de um papagaio por um cachorro. O caso se deu no Lago Norte, bairro nobre de Brasília, e veio direto para o Tribunal porque o dono do cão é subprocurador do Trabalho. O relato sobre o caso causou risos entre os que assistiam à conferência. Foi então que o presidente do STJ lembrou que a Carta magna do Brasil faz referência aos juizados de Paz.
 
"É uma letra morta. Ninguém cuidou, no Brasil, de sua implementação", lamentou o ministro Vidigal.
 
O presidente afirmou para a platéia que era do tempo em que "as questões se resolviam nas associações de moradores, nas famílias, no salão paroquial". Ele assegurou que somente depois que vencessem essas etapas, inclusive discutindo essas querelas nas escolas, é que se buscava o amparo no Código Penal. "O Código Penal não deve ser a única solução. A paz há que ser a nossa busca permanente", afirmou.
 
A conferência foi aberta pelo secretário da reforma do Judiciário, Sérgio Renault, que deu as boas-vindas aos participantes do evento. Ele foi seguido pelo defensor público Fernando Antônio Neves Ferraz, pelo procurador-geral do GDF, Rogério Cruz, pelo presidente do Tribunal de Justiça do DF, desembargador José Jerônymo Bezerra de Souza, pelo representante do PNUD no Brasil, Carlos Lopes, e pela embaixadora da Nova Zelândia no Brasil, Denise Almao.
 
Em seguida, a consultora Jacqueline Sinhoretto fez a apresentação do projeto "Acesso à Justiça por sistemas alternativos de administração de conflitos". O documento trata do mapeamento nacional de programas públicos e não governamentais. A conferência internacional segue nessa quarta-feira com debates tendo como tema "Justiça participativa: a experiência internacional", "Perspectivas nacionais: mediação", "Perspectivas nacionais: experiências comunitárias".
 
Amanhã, às 9h30, terceiro dia da conferência, ocorre o painel "A experiência internacional", mediado pela assessora internacional da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Eurídice Vidigal. Ainda participam Mylêne Jaccoud, professora da Escola de Criminologia da Universidade de Montreal e pesquisadora do Centro Internacional de Criminologia Comparada, e Gabrielle Maxwell, pesquisadora sênior do Instituto de Estudos das Políticas da nova Zelândia.
 
À tarde, os painéis "A experiência latino-americana" e "A sociedade civil e justiça restaurativa na América latina".
 
A conferência se encerra na sexta-feira com a divulgação da "Carta de Brasília". No último dia do evento, ocorrerão os painéis: "Promovendo práticas restaurativas no sistema de Justiça brasileiro" e "A difusão do modelo restaurativo no Brasil: estratégias e desafios".
 
 
Roberto Cordeiro
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