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Magistrados
da América do Sul defendem rigor com juízes, servidores e
operadores do Direito
Magistrados de sete países sul-americanos reunidos em Brasília
defenderam "mudanças mais rígidas" no sentido de impor mais
transparência e "rígida observância aos valores éticos não só
aos juízes como também aos serventuários públicos e todos os demais
operadores do Direito". Os presidentes de Cortes Supremas
destacaram também que as decisões jurídicas devem passar pela defesa
dos direitos e garantias individuais e coletivos, assim como "a
segurança jurídica que compreende o cumprimento dos contratos e o
respeito à propriedade".
A seguir, a íntegra da "Carta de Brasília", documento
elaborado por ocasião do encerramento do I Encontro Reforma Judiciária
na América do Sul:
Carta de Brasília
Os Presidentes das Cortes Supremas de Justiça, reunidos em
Brasília, Distrito Federal, nos dias 25 e 26 de novembro de 2004,
respeitando as diferenças institucionais à legislação de cada País
e buscando constituir dentro da ibero-américa um bloco judiciário
sul-americano,
DECLARAM:
1. O Poder Judiciário tem compromissos com a governabilidade. Sem
governabilidade a democracia não se realiza. E a Republica se resume a
fantasia. Por isso, temos que trabalhar contra a morosidade
judicial, derrogando práticas recursais que só ensejam a procrastinação.
O trânsito em julgado das decisões judiciais tem que se operar o
quanto antes. Justiça tardia é injustiça.
2. A reforma institucional e a modernização do Judiciário nos
países onde a morosidade ainda ocorre, são imperativos
inadiáveis para a realização das promessas do Estado Democrático de
Direito. Essas mudanças passam, indispensavelmente, por regras que
imponham mais transparência e rígida observância aos valores éticos
não só aos Juizes como também a todos os serventuários públicos e
todos os demais operadores do Direito.
3. No contexto das decisões judiciais, devotos fiéis das normas
constitucionais, continuaremos inflexíveis na defesa dos direitos
e garantias individuais e coletivos, neles incluídos, especialmente, o
direito incondicional da sociedade à informação, a segurança jurídica
que compreende o cumprimento dos contratos e o respeito à propriedade.
4. Os pontos da agenda deste I Encontro - Governo e Administração do
Poder Judicial; Seleção, nomeação, promoção e capacitação
dos Magistrados; Reformas nos ordenamentos Legais ou Processuais; e
Sistemas disciplinares e Medidas contra a Corrupção - continuarão
em debate.
O II Encontro Sobre Reforma Judicial será no próximo ano em Sucre,
Capital Judicial da Bolívia.
Brasília, 26 de novembro de 2004.
Elena Inés Highton de Nolasco
Juíza da Corte Suprema de Justiça da Nação Argentina
Eduardo Rodriguez Veltzé
Presidente da Corte Suprema de Justiça da Bolívia
Edson Vidigal
Presidente do Superior Tribunal de Justiça do Brasil
Marcos Libedinsky
Presidente da Corte Suprema de Justiça do Chile
Silvio Fernando Trejos Bueno
Presidente Corte Suprema de Justiça da Colômbia
Víctor Núñez
Presidente da Corte Suprema de Justiça do Paraguai
Leslie Alberto Van Rompaey Servillo
Presidente da Suprema Corte de Justiça do Uruguai |