Ricardo Magalhães Boucault
Jornalista

 

Presidente do IINJP-BR: Edval Ferreira
E-mail: apoiosp@iinjp.org.br

Acompanhe passo a passo o caminho da vitória da Justiça de Paz
O esforço de hoje é o benefício de amanhã

Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Poder Judiciário recebeu, em 2010, 17,1 milhões de novos processos, mas somente conseguiu julgar 16,1 milhões, acumulando cerca de 1 milhão de processos para 2011.

Enquanto as instâncias superiores da Justiça superaram a meta anual estipulada pelo Judiciário, as instâncias inferiores, justamente as que podem ser beneficiadas pela Justiça de Paz, foram as que apresentaram os piores resultados, demonstrando a urgência e a necessidade de o Judiciário contar com a colaboração da Justiça de Paz para poder não só atingir, mas também suplantar essa meta.

 

Processos

Contando com os processos acumulados nos anos anteriores, o Brasil tem, ao todo, cerca de 86,6 milhões de processos em andamento, o que significa que um em cada três brasileiros tem uma demanda na justiça. De acordo com o ministro do STF Gilmar Mendes “esses números são absurdos e revelam que, sem soluções alternativas, não seremos capazes de ter uma estrutura judiciária que atenda tanta demanda”, portanto “temos de privilegiar o acordo. Às vezes, o conflito judicializado não é a melhor solução. Queremos transformar o Judiciário numa instituição mais célere”, afirmou o ministro, demonstrando a importância da conciliação na resolução de conflitos.  

Dando o seu parecer, o também ministro do STF Celso de Mello ressaltou que “a Justiça de Paz compõe a estrutura institucional do Poder Judiciário” e que “a Constituição da República, ao dispor sobre a organização do Poder Judiciário, nesta incluiu a Justiça de Paz, que se qualifica como verdadeira magistratura eletiva, a quem se outorgou, dentre outras atribuições, competência de caráter judiciário (exercício da atividade de conciliação)”.

  

II Pacto Republicano

“Para que haja um sistema de justiça mais acessível, ágil e efetivo, o Judiciário, o Legislativo e o Executivo firmaram, em abril de 2009, o II Pacto Republicano de Estado, onde um dos objetivos é fortalecer a mediação e a conciliação, estimulando a resolução de conflitos por meios autocompositivos, voltados à maior pacificação social e menor judicialização, justamente os princípios da Justiça de Paz”, esclareceu o presidente do IINJP-BR, Edval Ferreira.  

 

Criação de cargos

É preciso, então, que novos cargos sejam criados para que o órgão da Justiça de Paz seja efetivado, porém conforme o Relatório Anual 2010 do Conselho Nacional de Justiça, somente 709 cargos foram concedidos, no ano passado, para o Poder Judiciário, entre todos os que foram solicitados por meio de anteprojetos de lei. Embora haja demanda por novos cargos, há também a necessidade de se conter despesas. Isso se deve porque os salários e benefícios dos 312.573 servidores da Justiça, somados aos dos funcionários terceirizados, representam 90% do total de despesa do Judiciário.

 

Solução

Embora o governo federal tenha cortado, no início do ano, 50 bilhões de reais nas despesas previstas na Lei Orçamentária Anual de 2011, a fim de ajustar as contas públicas, a arrecadação do governo, impulsionada pelo desempenho da economia, tem crescido neste ano, inclusive batendo recorde histórico.

“É preciso se aperceber que a efetivação da Justiça de Paz depende dessa complexidade de fatores”, ponderou Edval Ferreira e acrescentou: “Para que haja criação de mais cargos no serviço público, é preciso que haja não só receita orçamentária para custeá-la, mas também condições objetivas de se poder gastar sem prejuízo à política econômica do governo federal”.

 

IINJP-BR

Ter deixado a Justiça de Paz ficar inativa foi um erro que está custando caro demais não para a própria Justiça, porém sim para a sociedade, afirmou Edval Ferreira. Enquanto isso, “o IINJP-BR segue trabalhando em conjunto com o Poder Público para que seja viabilizado o funcionamento e a estrutura da Justiça de Paz no Brasil, bem como disseminar os fundamentos da cultura de paz e os valores da cultura da família nas mais diversas camadas da sociedade brasileira”, afirmou o presidente do IINJP-BR, acrescentando ainda que “a população precisa se conscientizar cada vez mais sobre a Justiça de Paz e os benefícios que ela trará para o nosso país”.

 

Vitória

Que a Justiça de Paz será novamente efetivada em nosso país não há nenhuma dúvida, pois além de ela estar na Constituição Federal vigente, há vontade pública explícita para que isso ocorra, vinda, por exemplo, do STF, STJ, CNJ, Ministério da Justiça (incluindo a Secretaria de Reforma do Judiciário). Ademais, “todo o nosso esforço e trabalho é para que isso ocorra o mais rápido possível”, disse Edval Ferreira. Todavia, “assim como esperamos do Poder Público essa definição, tanto as instituições públicas como a sociedade esperam que IINJP-BR, como órgão auxiliar da Justiça, apresente um testemunho de união, paz, harmonia e conciliação, próprias do exercício da Justiça de Paz e que deve ser cumprido plenamente por todos os membros do IINJP-BR”, concluiu Edval Ferreira.   

Autor: Ricardo Magalhães Boucault

Fontes: CNJ – “Relatório Anual 2010” e “Justiça em Números”; Agência CNJ de Notícias; STF; Agência Brasil; IINJP-BR.

 

retornar

 

© 2002-2010 - IINJP-BR. Todos os direitos reservados. Website desenvolvido por MultiOption